2 da manhã. O fogo na minha cabeça pegou-se à minha garganta. Deita um fumo que mói e reconforta. Um fumo passageiro, Que se encarrega de perpetuar o momento. Um fumo entrópico, Que na sua inevitabilidade nos faz lembrar que o tempo não pára, Por mais que o tentemos abrandar. Um fumo que se dispersa com uma facilidade invejável, Uma facilidade inerente às coisas mais simples da vida. Um fumo que aguça os sentidos e entorpece o sentimento. Faz-nos ouvir, e escuta também. Cada suspiro, cada movimento. Sussura. É um fumo empático mas que teima em fugir. Faz questão de nos lembrar Que há mais por vir.